terça-feira, 11 de outubro de 2016

terça-feira, 17 de maio de 2016

A arte de manter a tradição e a arte de transformar


                                                                                              Miriam Lamas Baiak

Toda nação possui tradições que a ajudaram a se afirmar e a se consolidar no mundo; que a princípio foram inventadas e então seguidas, formando assim diferentes civilizações, povos, tribos, sociedades ao redor do mundo e ao longo dos anos. O que se configura nestas tradições é nossa cultura, e desprezá-la pode ser perigoso, segundo Gasset (citado por Marcos Junior).
Para Levy-Strauss esta era de mundialização pede a preservação das diferenças culturais, ou pelo menos a conservação em memória viva destas; pois não é o conteúdo histórico destas culturas/tradições que é importante hoje, mas sim sua diversidade. Precisamos e necessitamos viver com a diversidade.
Vivemos em mundo onde em tudo se busca o novo, e que de certa forma, em muitos casos, vem para desprezar o antigo, sem dar valor ao de onde venho e de onde viemos. E o problema está em saber o que deve ser mantido e o que deve ser mudado, o que funciona nos dias de hoje e o que não funciona; em saber respeitar o passado que nos fez chegar a este presente. E em saber que a tradição pode ser um ponto de partida para que cada um crie seu caminho, mas antes de muda-la, precisa-se conhece-la por completo.
O novo pelo novo, muitas vezes não basta, é apenas um “velho” disfarçado de “novo”; sem raízes, sem fundamentos. Toda invenção precisa de uma base para se estabilizar. Tradicional e moderno devem ser integrados.
Assim, penso que na dança o mesmo deve ocorrer. Porque desprezar as danças tradicionais? Porque apenas o contemporâneo teria importância nos dias de hoje? Não estou afirmando que isto seja um quadro geral, mas já vi e já ouvi muito isto e sei que muitos outros também.
O ballet clássico mantém uma tradição de algumas centenas de anos, mas não é mais o mesmo, ele evoluiu, ele vive seu contexto histórico presente. Se têm dúvida é só ver as primeiras fotos e primeiros vídeos para perceber o quanto a técnica evoluiu; ver as primeiras coreografias montadas e as novas composições. O ballet clássico entende e mantém a tradição, mas também busca o novo, ele “não vive no passado ou é ultrapassado” como já ouvi falar. Este é apenas um exemplo entre tantos outros.

Enfim, na dança também é possível manter as tradições e também é possível fazer o novo, sem menosprezar aquilo que já existiu e aquilo que é diferente do que você faz. A arte de manter a tradição e a arte de transformar podem ser feitos simultaneamente, o importante é fazer com qualidade.

Inovação

Tradicional

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Quando o ballet encontrou a Índia

Segundo Kirstein (1977) os ballets no século VXIII com características nacionais distantes, como da China, Persia, Índia e México eram mais populares que ballets sobre Grécia e Roma.
Existem vários relatos ocidentais sobre as dançarinas indianas. Marco Polo teria sido o primeiro a cita-las no século XIII. Nicolò dé Conti, em 1420, escreveu sobre as procissões com suas dançarinas em festivais na Índia. E, posteriormente, Domingo Paes, entre outros, iriam retrata-las.
Relatos publicados em francês e inglês, em 1670 e 1671, por Bernier, tornaram-se temas para ballets e óperas do século XVIII e XIX. E o poema de Vitor Hugo, Les Orientales, também foi responsável pela moda oriental em Paris, segundo Bor (2010).
No final do século XVII e começo do século XVIII textos religiosos indianos começaram a estar disponíveis na Europa, e sua disseminação influenciou o Romantismo europeu, que se apropriou de sua cultura nativa, ideias e conhecimento; fazendo um intercâmbio entre ocidente e oriente (SCOBIE, 2013). Segundo a autora, escritos românticos, de Goethe até Shelley, imaginavam as devadasis (dançarinas consagradas aos templos hindus) como uma personificação fisicamente alegre e sexualmente sagrada; e que esta visão poderia ter tido um efeito perturbador no ocidente. Mas, interpretações etnográficas e missionarias poderiam sugerir que o sagrado e o sensual poderiam coexistir.
Abbé Guillaume Thomas Raynal se referiu a elas como balladieres no século XVIII. E Pierre Sonnerat trocou o termo português bailadeira para o francês bayadère; o que influenciou muitos autores no século XIX a usar esta palavra como uma palavra indiana. Segundo Scobie (2013), a evocação e orientalismo da palavra bayadère é um exemplo de uma construção ocidental de um fenômeno oriental que ainda é usado hoje.
Johann Wolfgang von Goethe escreveu o poema Der Gott und die Bajadere em 1797, e foi o responsável pelos libretistas começarem a introduzir como tema a ‘bayadère’ para ballets e óperas. Philippo Tagliono coreografou Le det la bayadère ou The maid of Cashmere em 1830, na Ópera de Paris.
Em 1814 a paixão de Jacob Haafner’s pela devadasi Mamia, foi a inspiração de Gaetano Gioja para o ballet I riti indiani, estreado no Teatro Scala em Milão. O trabalho de Haafner’s é a principal fonte sobre dança indiana no começo do século XIX; e foi fonte de grande importância para Théophile Gautier e outros críticos franceses. (BOR, 2010)
Segundo o autor, a primeira apresentação profissional de devadasis  na Europa foi em 1º de outubro de 1838 no Teatro Variétés em Paris; anunciado nos jornais franceses e ingleses. O Journal des débats publicou que a Europa dançava com os pés, mas era apenas isto. Que a dança da Europa não tinha estilo e expressão. Já as bayadères dançavam de uma forma diferente; todo o seu corpo tremia. Uma mistura de gentiliza e fúria; alguma coisa estranha, impetuosa, apaixonante e burlesca. Como se o Deus do templo as perseguisse até o fim. Théophile Gautier, escritor francês, escreveu que eles foram ver algo estranho, misterioso e charmoso, alguma coisa completamente desconhecida na Europa, alguma coisa nova; que assim como outros, ele havia ficado fascinado. E que segundo um correspondente, elas atraíram muita atenção, inclusive que ameaçavam eclipsar Taglioni e seu trem de fadas.
Em 1838 elas também foram atrações em Londres. As pessoas faziam filas no teatro e ficavam impacientes com a espera. Foi dito que suas formas eram simétricas e perfeitas; que podia-se ver a mente através dos olhos, algo absolutamente magico (BOR, 2010). Segundo Ullattil (2010) a conclusão do anuncio feito para a apresentação no Egyptian Hall dizia: está dança hindu é totalmente diferente das outras; isto é pantomima da emoção, exibindo o fluxo da alma, não de espíritos de animais. O autor também diz que um anúncio publicitário, chamado “o segredo da elasticidade das bayadères”, escreveu que estas dançarinas surpreendentes espantaram os parisienses e londrinos por sua elasticidade inigualável de movimento. Taglioni, Duvernay e Elslers tiveram que dar lugar a suas rivais indianas.
Assim, a dança indiana encantou o público europeu e além de servir de tema para os ballets da época, influenciou seus passos. Um exemplo podemos ver nas fotos do ballet “Deus azul”, de Fokine, com características das miniaturas mungals, das pinturas nas cavernas de Ajanta na Índia (KIRSTEIN, 1977). Um outro exemplo, segundo Gupta (2013), é que os ballets criados por Anna Pavlova, “Radha e Krishna” e “Hindu wedding”, são uma mistura das duas técnicas; e que está fusão foi uma tendência que pode ser vista em outras produções.

Autora: Miriam Lamas Baiak
Deus Azul

La Bayadère


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Aulas 2016

CECCONELLO ESCOLA DE DANÇA


QUARTAS
16h Bollywood e Bharata natyam Intermediário
20:15h - 21:15h Bharata natyam iniciante

TERÇAS
19h – 20h Bollywood básico

QUINTAS
19h – 20h Bharata natyam básico

R. João Bettega, 449B Fone 3039 0610
* Inicio das aulas dia 11/01.

NOSSO ESPAÇO

SÁBADOS
13:15h – 14:30h Bollywood
R. Barão do Rio Branco, 261 Fone 3039 0610

* Inicio das aulas em fevereiro